Às vésperas do seu aguardado centésimo capítulo, exibido nesta quinta (12), “Três Graças” comprova por que é uma novela marcada por acertos, camadas bem desenvolvidas e um texto afiado. Aguinaldo Silva, mestre em criar universos próprios, nunca escondeu seu prazer em revisitar suas criaturas e, aqui ele faz isso com inteligência e propósito.
O retorno de Crô, eternizado por Marcelo Serrado em “Fina Estampa” (2011), está longe de ser apenas um agrado nostálgico ao público. O personagem reaparece com função dramática clara: transita por diferentes núcleos e planta a pulga atrás da orelha sobre a verdadeira paternidade de Raul (Paulo Mendes). Afinal, será mesmo ele filho biológico de Arminda (Grazi Massafera) e Rogério (Eduardo Moscovis)? Crô não entra em cena à toa, ele movimenta, provoca e deixa rastros.
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Outro acerto foi trazer de volta o venenoso e sempre afiado Téo Pereira, sucesso absoluto de “Império” (2014). Paulo Betti reassume o papel com precisão cirúrgica para escancarar o escândalo da traição de Santiago Ferette (Murilo Benício), que lançou pelos ares anos de casamento com Zenilda (Andreia Horta). E como escancara! Com deboche, faro jornalístico e aquela língua ferina que o público ama odiar.
As participações de Marcelo Serrado e Paulo Betti foram mais do que especiais: foram estratégicas. Ambos retomaram trejeitos, voz, ritmo e essência de seus personagens como se o tempo não tivesse passado, 15 e 12 anos depois, respectivamente. Isso é domínio de criação. Isso é marca de personagem icônico.
“Três Graças” segue firme, coesa e cada vez mais instigante.
Assista de segunda a sábado, a partir das 21h20, na TV Globo.









