Recentemente, o Globoplay resgatou “Porto dos Milagres” por meio do Projeto Originalidade e, em uma feliz coincidência, a trama celebrou suas bodas de prata no último dia 5 de fevereiro. Criada e escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, a novela foi um fenômeno em sua exibição original, chegando a ultrapassar a marca dos 50 pontos de audiência e consolidando-se como um dos grandes sucessos da teledramaturgia brasileira.
Vale relembrar a sinopse: em Porto dos Milagres, pequena cidade localizada no litoral baiano, chegam Félix Guerrero (Antônio Fagundes) e Adma (Cássia Kis), um casal de golpistas que foge da Espanha após uma cigana prever que Félix, ao atravessar o mar, se tornaria rei. No local vive Bartolomeu (Antônio Fagundes), irmão gêmeo de Félix, que carrega antigas mágoas após ter sido enganado por ele no passado. Mesmo recebendo o casal com hostilidade, Bartolomeu construiu um império na cidade. Sem o conhecimento de Félix, Adma envenena o cunhado com um poderoso raticida, abrindo caminho para que o marido assuma seus negócios.
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Antes de morrer, Bartolomeu havia se envolvido com a prostituta Arlete (Letícia Sabatella), que descobre estar grávida. Após o nascimento do filho, Arlete vai até a mansão dos Guerrero, onde é recebida por Adma. Determinada a eliminar qualquer herdeiro, Adma ordena ao capataz Eriberto (José de Abreu) que se livre da mulher e da criança. Durante a travessia em alto-mar, Arlete consegue enganar Eriberto, coloca o bebê em um cesto e o lança ao mar, sacrificando a própria vida ao se atirar nas águas.
Guiado por Iemanjá, o cesto chega até o barco do pescador Frederico (Maurício Mattar), que, naquele momento, ajudava sua esposa Eulália (Cristiana Oliveira) em um parto difícil, que termina de forma trágica. Ao ouvir o choro do bebê, Frederico acredita se tratar de uma bênção da deusa do mar e decide criá-lo como seu filho, batizando-o de Gumercindo. Eulália morre pouco depois, e, em uma noite de tempestade, Frederico desaparece no mar. A criação do menino passa então para as mãos de Francisco (Tonico Pereira) e Rita (Joana Fomm).
Paralelamente, conhecemos Laura (Carolina Kasting), irmã da doce Leontina (Louise Cardoso) e da ambiciosa Augusta Eugênia (Arlete Salles). Renegando a própria família, Laura se casa com o pescador Leôncio (Tuca Andrada), com quem tem uma filha, Lívia. Inconformada com o casamento, Augusta denuncia Leôncio por contrabando, sem saber que Laura estava no barco. A ação policial termina em tragédia, com a morte do casal após a explosão da embarcação, deixando Lívia sob os cuidados da família.
Outra figura marcante da trama é Rosa Palmeirão (Luiza Tomé), irmã de Arlete, que mata o coronel Jurandir de Freitas (Reginaldo Faria) no dia de seu casamento, ao descobrir que ele violentara sua irmã mais nova. Condenada a 20 anos de prisão, Rosa promete dar uma reviravolta em sua vida ao deixar a cadeia.
Duas décadas depois, Lívia (Flávia Alessandra) retorna a Porto dos Milagres ao lado do namorado Alexandre (Leonardo Brício), filho de Félix e Adma. É na cidade que ela conhece Gumercindo, ou Guma (Marcos Palmeira), agora um homem íntegro e líder respeitado da cidade baixa. O amor entre os dois enfrenta inúmeros obstáculos, da hostilidade de Alexandre às armações de Augusta Eugênia, além da presença sedutora de Esmeralda (Camila Pitanga), apaixonada por Guma. Enquanto isso, Rosa Palmeirão deixa a prisão decidida a encontrar o paradeiro do filho de Arlete, instala-se na cidade com um bordel e acaba se envolvendo com Félix, acreditando que ele foi responsável pela morte da irmã, até que sentimentos inesperados começam a surgir.
Quem não se encantou com o romance de Guma e Lívia? Ou não se arrepiou com as crueldades de Adma, que eliminava suas vítimas com o veneno escondido em seu anel? “Porto dos Milagres” permanece viva na memória afetiva de quem aprecia uma boa trama, daquelas que atravessam gerações.
Inspirada nos romances “Mar Morto” e “A Descoberta da América pelos Turcos”, de Jorge Amado, a novela reafirma a forte ligação da obra de Aguinaldo Silva com o universo do autor baiano, pois o mesmo já havia adaptado outro clássico, “Tieta”, em mais um sucesso absoluto.
Se você, assim como eu, é apaixonado por nostalgia, vale dar o play em “Porto dos Milagres”. A novela está completa e disponível para ser degustada, como toda grande história merece.









