Ratinho move uma ação criminal contra Erika Hilton por difamação após a parlamentar usar a rede social para confrontar o apresentador. O processo tramita na 7ª Vara Criminal de Brasília e já foi formalmente notificado à deputada, que agora precisa prestar esclarecimentos sobre o conteúdo e o contexto das publicações.
A acusação parte de um post em que Hilton chama Ratinho de “rato”, expressão que, segundo a defesa do apresentador, ultrapassa o limite da crítica política e passa a ser ataque direto à honra.
A Justiça do Distrito Federal entendeu que a situação envolve elementos de injúria, calúnia e difamação, o que justifica a abertura de uma ação criminal voltada à proteção da reputação do apresentador. O caso ainda está em fase inicial, mas coloca sob holofote a tensão entre liberdade de expressão, uso ácido das redes e o que o Código Penal considera ofensa criminal.
VEJA TAMBÉM
De transfobia a difamação: a linha entre crítica e ataque
Antes de virar ré em processo de difamação, Erika Hilton era quem acionava a Justiça contra Ratinho. A deputada moveu ação por transfobia depois que o comunicador disse ao vivo, no Programa do Ratinho, que ela “não é mulher, ela é trans”, ao comentar a escolha dela para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
Naquele momento, a parlamentar entrou tanto com pedido de ação criminal quanto com ação cível, pedindo indenização de R$ 10 milhões ao apresentador e ao SBT.
Ratinho, por sua vez, sempre se defendeu dizendo que sua fala era crítica política, não preconceito. Em entrevistas e notas públicas, ele insistiu que tinha o direito de questionar quem governa, sem que isso vire “câmara de gás” para quem discorda. Com o tempo, a balança jurídica virou: o que para alguns foi um ataque transfóbico passou a ser visto, pela defesa de Ratinho, como discurso político legítimo, e o que para ele foi um ataque à honra virou objeto de ação criminal.
Como a rede social virou arma jurídica
Para a defesa de Ratinho, o problema não foi apenas o xingamento, mas o ambiente em que ele foi lançado. Chamá‑lo de “rato” em uma rede social, com alcance ampliado e repetição por seguidores, seria algo muito além de uma piada isolada, transformando‑se em ofensa à honra em caráter público.
A acusação destaca que a deputada, em sua postagem, usou uma expressão carregada de conteúdo pejorativo, capaz de contaminar a imagem do apresentador perante seu público e parceiros comerciais. Em linguagem jurídica, isso se encaixaria em difamação quando há tentativa de degradar a reputação de alguém perante terceiros.
Erika Hilton, em seus textos públicos, sustenta que responde à altura quem ataca a comunidade trans e que não terá medo de usar o nome completo do apresentador quando julgar necessário. Para ela, a frase é uma resposta direta à declaração de Ratinho, que foi interpretada como transfóbica e usado como parâmetro para julgar toda a discussão sobre o caso.












